Informação Geral
Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa 
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  • Nome: Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa
  • Tipologia: Igreja/Mosteiro
  • Classificação: Monumento Nacional, pelo Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 junho 1910, Desp. março 1986, Dec. n.º 67/97, DR 301 de 31 dezembro 1997
  • Concelho: Penafiel
  • Estilo: Românico nacionalizado
  • Estado de Conservação: Razoável 
  • Festa do Padroeiro: Divino Salvador - 6 de agosto 
  • Horário do Culto: Sábado - 21h00; domingo - 07h30 e 11h00   
  • Horário da Visita: Por marcação 
  • Serviços de apoio:

    Centro de Informação da Rota do Românico:
    Torre Sineira do Mosteiro de Paço de Sousa, Largo do Mosteiro, Paço de Sousa, Penafiel
    Horário: verão (do último domingo de março ao último domingo de outubro): quarta-feira a domingo (10h00-13h00 e 14h00-18h00)
                   inverno: sexta-feira a domingo (09h00-13h00 e 14h00-17h00)

  • Telefone : 255 810 706 / 918 116 488 
  • Fax: 255 810 709 
  • E-Mail: rotadoromanico@valsousa.pt  
  • Web: www.rotadoromanico.com 
  • Localização:
    Largo do Mosteiro, freguesia de Paço de Sousa, concelho de Penafiel, distrito do Porto.
  • Como Chegar:

    Se vem do Norte de Portugal através da A28 (Porto), da A3 (Porto), da A24 (Chaves/Viseu), da A7 (Póvoa de Varzim) ou da A11 (Esposende/Marco de Canaveses) siga na direção da A4 (Bragança/Matosinhos). Saia no nó de Lousada/Penafiel e depois siga a sinalização da Rota do Românico até ao Mosteiro de Paço de Sousa.

    A partir do Porto opte pela A3 (Valença) e depois pela A4 (Vila Real). Saia em Lousada/Penafiel e siga a sinalização da Rota do Românico.

    Se vem do Centro ou Sul de Portugal pela A1 (Porto) ou pela A29 (V.N. Gaia) opte pela A41 / Este / A41 CREP. Escolha depois a A4 (Vila Real), saia em Lousada/Penafiel e siga a sinalização da Rota do Românico.

    Se já se encontra na cidade de Penafiel, tome a direção de Entre-os-Rios, pela estrada N106, seguindo a sinalização da Rota do Românico até ao Mosteiro de Paço de Sousa.

  • Coordenadas Geográficas: 41° 9' 57.398" N / 8° 20' 41.085" O  
História
História
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Mosteiro do Salvador de Paço de SousaA fundação de uma comunidade monástica que remonta ao século X está na origem deste Mosteiro Beneditino. O testamento do abade Randulfo, de 994, fugido de um mosteiro localizado a sul, durante as incursões de Almançor, contém as primeiras referências ao Mosteiro.

Na fundação do Mosteiro estão Trutesendo Galindes e sua mulher Anímia, que seguiram os costumes monásticos peninsulares e adotaram a Regra de São Bento, durante o abaciado de Sisnando, entre 1085 e 1087.

Em 1088, o testamento de Egas Ermiges e de sua mulher Gontinha Eriz doa bens móveis e imóveis à igreja do Salvador, em busca da salvação das suas almas.

Esta igreja não corresponde ao atual templo românico, mas a sua arquitetura deixou marcas na construção que viria a ser erguida no século XIII, apresentando parcelas de épocas diferentes.

O conde D. Henrique doa o Mosteiro como cabeça de um couto ligado à família Ribadouro, uma das mais importantes do Entre-Douro-e-Minho, e da qual provém Egas Moniz que, segundo a tradição, terá fundado este Mosteiro.

A origem desta família é estrangeira, com o primeiro representante, Mónio Viegas I, a ser originário da Gasconha, de acordo com as informações constantes nos Livros de Linhagem.

Personalidades Históricas
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D. Afonso Henriques

Imagem de D. Afonso HenriquesAfonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, D. Afonso Henriques (Coimbra, Guimarães ou Viseu, 1109 (?) - Coimbra, 1185), foi o primeiro rei de Portugal, conquistando a independência portuguesa em relação ao Reino de Leão.

Em resultado das inúmeras conquistas, ao longo de mais de quarenta anos, que duplicaram o território que herdara do pai, o conde D. Henrique, foi cognominado O Conquistador, embora também seja conhecido por O Fundador e O Grande. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamam-lhe Ibn-Arrik (filho de Henrique, em tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali (o Português).

Filho de Henrique de Borgonha, conde de Portucale, e D. Teresa, de Leão. Alguns defendem que seria filho de Egas Moniz, mais tarde seu aio.

Insurge-se contra a sua mãe, levando a melhor, pela força das armas, na Batalha de S. Mamede (1128).

Autoproclama-se rei de Portugal após uma vitória esmagadora sobre os mouros, na Batalha de Ourique, em 1139. Castela reconhece a independência de Portugal em Zamora, cujo tratado foi assinado em 1143. O Papa Alexandre III reconhece Portugal como país independente e vassalo da Igreja em 1179.




D. Egas Moniz de Ribadouro
Imagem de D. Egas Moniz de Ribadouro
O fidalgo Egas Moniz (?-1146), descendente de uma importante família de Entre-Douro-e-Minho, a quem foi confiada a educação do rei D. Afonso Henriques, destacou-se ao conseguir que Afonso VII de Leão levantasse o cerco a Guimarães (1127), prometendo-lhe a vassalagem de D. Afonso Henriques.

Segundo a tradição, como essa promessa não foi cumprida, Egas Moniz, acompanhado pela família, deslocou-se a Toledo, apresentando-se perante o monarca com cordas ao pescoço, oferecendo as suas vidas como o preço a pagar pela mentira que contara a Afonso VII.

Diz-se que o rei, comovido com tanta honra, o perdoou e mandou em paz de volta a Portucale.



Painel sobre a Lenda de Egas Moniz

Esta narrativa pode ser apreciada na iconografia do túmulo que repousa no Mosteiro, na qual surgem três cavaleiros, sendo o suposto aio de D. Afonso Henriques representado de forma mais cuidada e com uma dimensão superior à dos outros dois.



Urraca Viegas
Nasceu por volta de 1130, sendo filha de Egas Moniz e Teresa Afonso, da família dos Ribadouro. Patrona do Mosteiro de São Salvador de Tuías, no Marco de Canaveses, foi aia de D. Mafalda, filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, a quem educou como se fosse sua filha, deixando-lhe, em 1199, uma parte considerável dos seus bens.

Lendas e Curiosidades
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A demolição da Capela do Corporal implicou a transladação do túmulo de Egas Moniz para o interior da capela-mor da igreja, juntamente com os dos seus filhos.

Através da Ata da transladação descobre-se que o túmulo já havia sido mexido anteriormente e que uma parte dos ossos já tinha sido retirada. O túmulo continha apenas os braços, as pernas e parte da cabeça, bem como os ferros das armas e da bainha da espada.

Túmulo de Egas Moniz

De acordo com o cronista da Ordem, Frei Leão de S. Tomás, os ossos encontrados no interior do túmulo correspondiam a um homem de grande estatura.

Nos restauros do Mosteiro, realizados em 1929, após o incêndio que deflagrou dois anos antes, os túmulos são reconstruídos em forma de caixa tumular dupla, que ainda hoje pode ser apreciada na igreja.

Cronologia
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Séc. X – Edificação original (a primeira menção documental data de 994);

Séc. XIII – Construção da igreja românica;

Sécs. XVII e XVIII – Remodelação e transformação da capela-mor e da fachada principal e remodelação do claustro e dos aposentos monásticos;

1883-1887 – Obras de restauro, sob a tutela do Ministério das Obras Públicas;

1910 – Classificação da igreja como Monumento Nacional (Dec. 16-06-1910);

1920-1924 - Obras de restauro, a cargo do Ministério da Obras Públicas;

1927 – Um incêndio destrói parcialmente o Mosteiro;

1927-1938 - Início das obras de restauro da DGEMN - Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais;

1950-1987- Obras de conservação recuperação, sob a direção da DGEMN - Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e da Comissão Fabriqueira;

1992 – A Igreja e o Mosteiro de Paço de Sousa são afetos ao IPPAR - Instituto Português do Património Arquitetónico;

1998 – Integração do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa na Rota do Românico do Vale do Sousa;

2010 - Abertura do Centro de Informação da Rota do Românico.

Especialidades
Arquitetura
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Este Mosteiro é fundamental para a compreensão da arquitetura românica do Tâmega e Sousa, não só pelas suas singulares características arquitetónicas e escultóricas, como pelo facto deste antigo Mosteiro Beneditino conservar, no seu interior, o túmulo de Egas Moniz, uma das figuras centrais do início da Nacionalidade.

O Mosteiro é um edifício-padrão para a região, característica visível pelo modo muito próprio de decorar, quer pelos temas empregues, quer pelas técnicas escultóricas utilizadas.

Alçado do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa

Estas valorizam as colunas prismáticas nos portais, bases bulbiformes, recorrendo a padrões decorativos vegetalistas talhados a bisel, desenvolvendo longos frisos no interior e no exterior da igreja, muito ao estilo da arquitetura das Épocas Visigótica e Moçárabe.

Apesar das suas características românicas, o Mosteiro foi erguido no século XIII, possuindo parcelas de várias épocas, nomeadamente elementos reaproveitados de uma construção mais antiga, que deverá ser datada da segunda metade do século XII, e outros de nítido recorte pré-românico que inspiraram os artistas que trabalharam no estaleiro do século XIII.

Construído com três naves, um falso transepto inscrito na planta, e coberturas de madeira assentes em arcos-diafragma, o Mosteiro tem ainda a cabeceira composta por três capelas comunicantes entre si.

Duas destas, as laterais, são em secção semicircular, à maneira românica, e a central, de planta retangular, é o resultado de uma alteração efetuada na Época Moderna.

É no lado ocidental que surge uma nova construção, desenvolvida em função da igreja pré-existente, destacando-se uma primeira fase construtiva no primeiro tramo ocidental e no portal axial, cujos elementos, nomeadamente capitéis e cachorros, uns de inspiração coimbrã, outros da sé portucalense, entre outras proveniências, correspondem ao momento mais antigo.

A segunda fase é representada pelo portal sul, menos arcaico do que o ocidental, e pelo contraste entre tramos, estes mais apertados e baixos do que os da primeira fase.

Já na terceira fase destacam-se, na cabeceira, os absidíolos de planta semicircular cobertos por abóbada de berço quebrado, elementos bastante evoluídos dentro do românico.

Na última fase da construção do Mosteiro salientam-se a cobertura do transepto e a torre sobre o cruzeiro, cuja arquitetura tardia lembra o gótico mendicante.

Na parcela do muro do transepto do lado norte foram integrados frisos e impostas muito anteriores à construção do século XIII, nomeadamente nas frestas dos absidíolos, nas molduras e em alguns capitéis, como os do absidíolo do lado sul, que apresentam aspeto moçárabe.

Já os elementos e revivalismo proto ou pré-românico, como os frisos de decoração vegetalista com talhe a bisel, que se estendem ao longo dos muros, tanto no interior como no exterior, resultam da inspiração nos motivos e perfis das impostas pré-românicas.

De igual forma, os arcos-diafragmas utilizados nas naves são um elemento que recorda a espacialidade das igrejas pré-românicas peninsulares.

No interior do Mosteiro encontram-se alguns elementos que resultam da reforma ocorrida durante a Época Moderna, nomeadamente o espaço da capela-mor, estreito e profundo, que passou por várias campanhas de obras.

O retábulo do altar-mor evidencia um desenho e uma decoração de cronologia bastante tardia dentro do período Moderno, apresentando uma miscigenação entre o rococó e o emergente neoclássico.

O claustro e o que resta do edifício monástico são, claramente, resultado das reformas dos séculos XVII e XVIII.

Envolvente
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No âmbito do Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, no qual foram definidas as linhas diretrizes e de enquadramento para a elaboração subsequente dos projetos técnicos de execução e respetivas obras para a valorização e salvaguarda das envolventes aos monumentos, enunciaram-se as condicionantes consideradas de maior relevância para preservar e requalificar as envolventes aos imóveis.

Envolvente do Mosteiro do Salvador do Paço de Sousa

O objetivo do Estudo passa por preservar o contexto em que estes se encontram inseridos, nomeadamente através da integração das condicionantes em dispositivos legais – como Zonas Especiais de Proteção – que restrinjam intervenções urbanísticas que façam perigar a integridade das envolventes.

Procedeu-se, também, à definição das áreas de atuação e intervenções de âmbito geral a ter em conta nas envolventes, para alargar o ordenamento do território a uma zona mais vasta no sentido de permitir uma melhor circulação de turistas na região.

Finalmente, o Estudo definiu quais as intervenções prioritárias a realizar nas envolventes aos monumentos, para permitir a estabilização dos territórios e, simultaneamente, corrigir e/ou criar estruturas e infraestruturas de apoio.

O Estudo salienta o caráter qualificador do parque e dos seus elementos arbóreos existentes na envolvente do Mosteiro. Para valorizar esta envolvente deverão ser realizadas intervenções de redefinição dos espaços públicos, revista a pavimentação e a continuidade com os restantes espaços públicos adjacentes e colocada iluminação adequada e eficiente.

As vias rodoviárias, que contribuem para cortes abruptos na paisagem envolvente, deverão ser alvo de harmonização, nomeadamente através da colocação de passeios e pavimentação homogéneos com a circundante ao imóvel.

Recuperação e Valorização
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O Mosteiro foi objeto de obras destinadas à recuperação das coberturas da igreja, à drenagem e desaterro na envolvente da igreja e no lado este da sacristia do Mosteiro e à limpeza e tratamento das paredes exteriores, interiores e vãos.

A cobertura da igreja encontrava-se particularmente fragilizada, com patologias biológicas, elementos estruturais putrificados, telhas partidas, que provocavam infiltrações.

Os trabalhos principiaram pelo zimbório, seguindo-se a nave principal e finalizando nas naves laterais e absidíolos.

Galeria
  • +Nave lateral do Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Absidíolo sul do Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Túmulo de Egas Moniz no Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Nave lateral do Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Capitel interior do Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Túmulo de Egas Moniz no Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Portal ocidental do Mosteiro do Salvador de Paço Sousa

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  • +Mísula do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Capitéis do portal ocidental do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Claustro do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Arquivoltas do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Capitéis do portal ocidental do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Capela-mor do Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Retábulo principal do Mosteiro de Paço de Sousa

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  • +Fachada sul do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Mísula do Mosteiro de Paço Sousa

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  • +Torre adjacente do Mosteiro de Paço de Sousa

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Bibliografia
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