Este Mosteiro é fundamental para a compreensão da arquitetura românica do Tâmega e Sousa, não só pelas suas singulares características arquitetónicas e escultóricas, como pelo facto deste antigo Mosteiro Beneditino conservar, no seu interior, o túmulo de Egas Moniz, uma das figuras centrais do início da Nacionalidade.
O Mosteiro é um edifício-padrão para a região, característica visível pelo modo muito próprio de decorar, quer pelos temas empregues, quer pelas técnicas escultóricas utilizadas.

Estas valorizam as colunas prismáticas nos portais, bases bulbiformes, recorrendo a padrões decorativos vegetalistas talhados a bisel, desenvolvendo longos frisos no interior e no exterior da igreja, muito ao estilo da arquitetura das Épocas Visigótica e Moçárabe.
Apesar das suas características românicas, o Mosteiro foi erguido no século XIII, possuindo parcelas de várias épocas, nomeadamente elementos reaproveitados de uma construção mais antiga, que deverá ser datada da segunda metade do século XII, e outros de nítido recorte pré-românico que inspiraram os artistas que trabalharam no estaleiro do século XIII.
Construído com três naves, um falso transepto inscrito na planta, e coberturas de madeira assentes em arcos-diafragma, o Mosteiro tem ainda a cabeceira composta por três capelas comunicantes entre si.
Duas destas, as laterais, são em secção semicircular, à maneira românica, e a central, de planta retangular, é o resultado de uma alteração efetuada na Época Moderna.
É no lado ocidental que surge uma nova construção, desenvolvida em função da igreja pré-existente, destacando-se uma primeira fase construtiva no primeiro tramo ocidental e no portal axial, cujos elementos, nomeadamente capitéis e cachorros, uns de inspiração coimbrã, outros da sé portucalense, entre outras proveniências, correspondem ao momento mais antigo.
A segunda fase é representada pelo portal sul, menos arcaico do que o ocidental, e pelo contraste entre tramos, estes mais apertados e baixos do que os da primeira fase.
Já na terceira fase destacam-se, na cabeceira, os absidíolos de planta semicircular cobertos por abóbada de berço quebrado, elementos bastante evoluídos dentro do românico.
Na última fase da construção do Mosteiro salientam-se a cobertura do transepto e a torre sobre o cruzeiro, cuja arquitetura tardia lembra o gótico mendicante.
Na parcela do muro do transepto do lado norte foram integrados frisos e impostas muito anteriores à construção do século XIII, nomeadamente nas frestas dos absidíolos, nas molduras e em alguns capitéis, como os do absidíolo do lado sul, que apresentam aspeto moçárabe.
Já os elementos e revivalismo proto ou pré-românico, como os frisos de decoração vegetalista com talhe a bisel, que se estendem ao longo dos muros, tanto no interior como no exterior, resultam da inspiração nos motivos e perfis das impostas pré-românicas.
De igual forma, os arcos-diafragmas utilizados nas naves são um elemento que recorda a espacialidade das igrejas pré-românicas peninsulares.
No interior do Mosteiro encontram-se alguns elementos que resultam da reforma ocorrida durante a Época Moderna, nomeadamente o espaço da capela-mor, estreito e profundo, que passou por várias campanhas de obras.
O retábulo do altar-mor evidencia um desenho e uma decoração de cronologia bastante tardia dentro do período Moderno, apresentando uma miscigenação entre o rococó e o emergente neoclássico.
O claustro e o que resta do edifício monástico são, claramente, resultado das reformas dos séculos XVII e XVIII.